O que é o Transtorno de Escoriação (Skin-Picking)?
O Transtorno de Escoriação é um transtorno mental caracterizado pela presença de comportamentos repetitivos e involuntários de cutucar/beliscar a pele, causando lesões, feridas e danos físicos.
É importante destacar que, embora o comportamento de cutucar a pele possa ser percebido como um hábito, ele pode ser considerado um transtorno quando ocorre de forma persistente, causando sofrimento significativo e prejuízo na vida da pessoa.
Quais são os sintomas do Transtorno de Escoriação?
O Transtorno de Escoriação pode se manifestar de formas diferentes entre as pessoas. O comportamento pode ocorrer de maneira consciente, quando a pessoa percebe que está cutucando a pele, ou de forma automática, durante atividades como assistir televisão ou utilizar o celular.
Os sintomas podem variar em intensidade ao longo da vida e podem piorar em períodos de estresse, tédio ou emoções intensas. Entre as manifestações mais frequentes estão:
- Cutucar, beliscar, espremer ou manipular repetidamente a própria pele, causando lesões.
- Dificuldade em controlar ou interromper o comportamento, mesmo quando há desejo de parar.
- Feridas, crostas, cicatrizes ou alterações na pele decorrentes da manipulação repetitiva.
- Sensação de tensão, ansiedade, desconforto ou impulso antes de cutucar a pele.
- Sensação de alívio, prazer ou satisfação logo após o comportamento.
- Manipular a pele de forma automática ou consciente, frequentemente utilizando as unhas, pinças ou outros objetos.
- Passar longos períodos procurando imperfeições na pele, como espinhas, crostas, pelos encravados ou pequenas irregularidades.
- Esconder as lesões com maquiagem, roupas, curativos ou evitando determinadas roupas e ambientes.
- Evitar situações sociais por vergonha ou constrangimento relacionados à aparência da pele.
- Prejuízo na autoestima, nas relações sociais e na qualidade de vida.
Cada pessoa pode apresentar uma combinação única desses sintomas. Reconhecer essa diversidade é essencial para combater o estigma, compreender o diagnóstico e possibilitar um tratamento adequado.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico do Transtorno de Escoriação é clínico e deve ser realizado por um psicólogo ou médico psiquiatra com experiência na avaliação de transtornos mentais.
Durante a avaliação, o profissional investiga a frequência do comportamento de cutucar ou manipular a própria pele, as regiões do corpo afetadas, a dificuldade em controlar o impulso, os fatores que desencadeiam ou aliviam o comportamento e o impacto na vida da pessoa, incluindo aspectos emocionais, sociais e profissionais.
Também é importante diferenciar o Transtorno de Escoriação de outras condições médicas que podem causar lesões na pele, como doenças dermatológicas, além de investigar a presença de outros transtornos mentais que podem ocorrer em conjunto.
O diagnóstico correto é fundamental para que o tratamento seja planejado de forma individualizada. Muitas pessoas convivem com o Transtorno de Escoriação durante anos sem receber ajuda por acreditarem que o comportamento é apenas um "hábito" ou uma "mania". Reconhecer o transtorno é o primeiro passo para iniciar um tratamento eficaz e reduzir seu impacto na qualidade de vida.
Qual o tratamento indicado?
Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)
A TCC é considerada o tratamento psicológico de primeira escolha para o Transtorno de Escoriação. A abordagem com maior evidência científica é o Treinamento de Reversão de Hábito, frequentemente associado ao Controle de Estímulos e a outras estratégias comportamentais.
O tratamento tem como objetivo ajudar a pessoa a reconhecer os momentos em que o comportamento ocorre, identificar seus gatilhos e desenvolver estratégias para responder ao impulso de forma diferente. Também são trabalhadas habilidades para regular emoções, reduzir o estresse e prevenir recaídas.
Na minha prática clínica, utilizo a TCC adaptada às necessidades de cada paciente. O plano terapêutico é construído de forma individualizada, considerando a história, os sintomas, os fatores desencadeantes e os objetivos de cada pessoa.
Agendar consultaTratamento medicamentoso
Até o momento, não existe um medicamento específico para o tratamento do Transtorno de Escoriação. Em alguns casos, o médico psiquiatra pode considerar o uso de medicamentos para reduzir os sintomas ou tratar transtornos associados, como ansiedade ou depressão.
Alguns medicamentos, como a N-acetilcisteína (NAC), antidepressivos e outras medicações, podem ser indicados. Entretanto, as evidências científicas ainda são limitadas e variam entre os pacientes.
A decisão sobre o uso de medicamentos deve sempre ser individualizada e realizada em conjunto com um médico psiquiatra.
O tratamento faz diferença.
O Transtorno de Escoriação pode causar sofrimento intenso, mas existem tratamentos eficazes. Se você acredita que esses sintomas fazem parte da sua rotina, procurar uma avaliação profissional pode ser o primeiro passo.
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